Um traje minhoto, um vaso à cabeça, uma tradição que passou a ser eterna.

14:39

Sabia que era a última vez que o fazia, bem lá no fundo sabia que não iria trajar mais as roupas da minha bisavó, e usar um vaso à cabeça, naquela que é a tradição que mais prazer me deu participar. Algo que não só está gravado no coração, mas na alma de quem sabe o que é ser de Negreiros, do que é ser minhota.

Mas foi a última vez, "todas as moças solteiras, vão em cortejo com um vaso à cabeça" e acontece que já não sou solteira. E que gosto de respeitar tradições.

Não vou mais faltar, verei sempre o cortejo de fora, pela primeira vez desde os meus 3 anos de idade, quando orgulhosamente fiz pela primeira vez aquele percurso.

Não fico triste, é o curso natural da vida e esta consequência é no fundo feliz, deve-se no fim de contas à minha felicidade, ao tornar-me mulher. Já não sou moça solteira, mas continuo mulher da terra.

Agora resta-me a que um dia, surjam novas gerações, que queiram participar do cortejo dos vasos, usando os trajes que um dia a mim pertenceram, e carregarei no peito a nostalgia de quem pisou as pedras daquela rua ao longo de 23 anos.

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