Negreiros - A tradição levamos no peito, bem junto ao orgulho de sermos daqui!

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Sabem quando gostamos muito de uma coisa? Muito mesmo? Pois é, a tradição de que vos falo é assim para mim. Uma coisa que gosto muito, que me orgulho muito e na qual participo desde que me conheço.

Ser do minho traz-nos algumas vantagens, e não, não é a voz esganiçada, nem o sotaque minhoto, é o orgulho que trazemos no peito. E Negreiros, onde vivo, tem uma das tradições mais lindas que alguma vez vi, diferentes de tudo, e que arrasta multidões. Percebe-se porquê, é sem dúvida algo indescritível o que ali se vê, mas mais bonito ainda é o que ali se sente.

Apenas as moças solteiras da terra fazem parte do cortejo, desde as mais pequeninas até às mais adultas, vamos em fila, por aquele velho percurso, cheio de histórias, e cheio de gente. Gente que veio de longe, para ver o que de mais bonito temos.

Vestimos os trajes minhotos antigos, no meu caso, visto a saia e o avental da minha bisavó (que foram passando de geração em geração), e uso os brincos da minha outra bisavó, madrinha da minha mãe, o resto é recente, mas em jeitos antigos, para não destoar. E uso cada um deles com um amor incondicional, um orgulho pelas mulheres que fizeram parte da minha família, e que de certa forma estou ali a representar. Falarei um dia das guerreiras que foram.

Ora, depois vem a história do vaso, que levamos à cabeça. Uns grandes, pesados, imponentes. Uns diferentes, belos, inovadores. Uns pequeninos a condizer com a menina que ali vai, tal como o meu primeiro vaso, que levei orgulhosamente à cabeça, quando tinha 3 anos.

Eu era uma miniatura de gente, branca como a cal, com caracóis loiros presos num puxo (como no Minho lhe chamamos), levava um lenço à cabeça e todos me diziam que era tão pequenina que ia ser a primeira da fila, mas não fui, estava lá aquela que seria para sempre a minha melhor amiga. E desde então nunca mais fizemos um cortejo separadas, só que agora ela é bem mais alta que eu ;)

Para nós tornou-se também uma tradição, como sei que é para cada uma das moças que ali vai. A roupa, o ouro que levamos ao peito, o vaso, sei que cada uma vive de forma diferente, mas que no fim, todas temos o mesmo propósito, levar aquela planta, de forma tão especial aos nossos familiares, antepassados.

No "meu tempo" a parte que mais significado tinha era quando entravamos no cemitério, rezávamos a quem lá estava, cada uma ao seu jeito e ouvíamos as palavras do Padre, éramos apenas nós naquele sitio, todos os outros tinham ficado lá fora, éramos especiais por momentos. (E não imaginam como aquele sítio fica lindo, cheio de plantas.) E diziam-nos que o que estávamos a fazer era especial também. Hoje os tempos mudaram, entram mais pessoas, não é um momento tão especial, mas a vida é mesmo assim, evolui!

É daquelas tradições que quando vêm uma foto nas redes sociais perguntam o que raio estava eu a fazer? Porquê um vaso na cabeça? Que roupa é aquela? E eu explico, com orgulho, a nossa tradição. Mas só percebe mesmo quem é de cá e só sente mesmo quem faz aquele velho percurso.


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